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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Estudar Psicologia online no Course Hero

Já me referi ao Course Hero num artigo anterior. Trata-se de um curso online onde os interessados acedem aos conteúdos do seu próprio interesse, consultam textos, realizam exercícios e obtêm soluções conforme as suas próprias necessidades.

Entre os vários cursos que o website disponibiliza, conta-se o Curso de Psicologia. O Course Hero disponibiliza para este curso, tal como o faz para todos os outros cursos, materiais de estudo, textos de ajuda, grupos de estudo e um dicionário com tradutor. Se o estudante precisar ajuda para escrever os seus trabalhos académicos, em Psych Essay Paper pode aceder aos materiais de estudo de milhares de universidades dos Estados Unidos da América.

O website têm uma interface muito intuitiva, o que facilita o acesso directo e rápido do estudante a todos os conteúdos, em todas as fases do seu estudo, desde o guia de estudo e programas de cursos, passando por trabalhos de casa e soluções dos problemas. Aceda à preparação para exames em Psych Exam e tenha bom aproveitamento!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Como ganhar dinheiro na internet

Eventualmente existem muitos modos de ganhar dinheiro online mas, para quem não tem produtos ou serviços para vender, o meio mais fácil de ganhar algum dinheiro na net, ocupando as horas livres, é visitar os sites propostos nos sites Paid To Click (PTC).
O investimento é nulo. Se tem tempo livre e um cartão visa, pode inscrever-se nos sites que lhe pagam para visualizar outros sites.
A exigência de ter um cartão visa é apenas para a ele associar uma conta PayPal, destinada a receber os seus lucros. Porém, nem todos os sites PTC são credíveis. Eu acredito nos que constam na última lista da barra lateral deste blog. Inscreva-se.

Atenção: NÃO FICARÁ RICO mas se alguém se inscrever por seu intermédio, poderá obter ganhos interessantes.

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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Explicacões online‏

Ter explicações quando se aproximam os exames ou durante todo o ano lectivo, é uma opção que muitos estudantes fazem. As explicações presenciais ajudam de facto os estudantes na aprendizagem de disciplinas tão variadas como inglês, matemática, geometria, álgebra, trigonometria, estatística, biologia, física, química, cálculo, etc., mas tem vários inconvenientes, nomeadamente:

a) implicam a deslocação dos estudantes a horas pré-determinadas para os locais designados;

b) ao preço da explicação acrescem os custos de transporte;

c) os horários são mais ou menos rígidos e limitados, quer em termos de tempo quer em termos de dias da semana;

d) por vezes a disponibilidade de professores e estudantes não coincide.

As explicações online eliminam todos estes inconvenientes e acrescentam vantagens. Professores qualificados, disponíveis 24 horas por dia, todos os dias da semana, dão explicações a milhares de alunos de todo o mundo, na plataforma TutorVista. O estudante, na sua casa e no seu computador, estuda e contacta com os explicadores no dia e hora que lhe for mais conveniente. O preço a pagar por este serviço permanente não excede o que pagaria por outra modalidade de explicações.

Entre as várias disciplinas, saliento a área de cálculo, especialmente útil aos estudantes de engenharia e ciências. Em Calculus help, o estudante familiariza-se com os conceitos da disciplina, com ajuda do calculus tutor que está sempre disponível para o ajudar e com suporte de textos, simulações e animações que facilitam aprendizagem.

Se o estudante necessitar de explicações intensivas de conceitos essenciais antes de iniciar o estudo de cálculo encontra o que precisa em Precalculus help, incluindo uma demonstração gratuita (free precalculus help).
Em Free calculus help, pode começar a sua aprendizagem de cálculo gratuitamente, começando pelos conceitos de derivação, integração, sucessões de números reais, continuidade e limite de funções, funções exponencias logarítmicas e outros.

Na página Precalculus é proposto ao estudante que estude de forma regular, execute os trabalhos de casa e beneficie do auxílio que lhe é oferecido em testes de preparação para os exames.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A bioestatística é a aplicação da estatística ao campo biológico

A bioestatística é a aplicação da estatística às ciências biológicas e médicas.
O termo já é utilizado desde 1923, como substituição da expressão "estatísticas vitais". Hoje, tem um significado mais abrangente, envolvendo os processos de desenho de estudo, recolha da dados, análise e interpretação de resultados.
A bioestatística utiliza os métodos descritivos e inferenciais da estatística, incluindo amostragem e probabilidade, para tratar dados obtidos de diferentes áreas do conhecimento, todos eles ligados às ciências da vida, tais como medicina, biologia, ecologia, psicologia, epidemiologia e saúde pública. Do tratamento dos dados pela bioestística, resultam as evidências estatísticas, base fundamental para a elaboração de protocolos.
Quem nunca ouviu falar de medicina baseada na evidência? Os médicos tomam decisões baseadas na evidência quando tem ao seu dispor os protocolos ou guidelines para se orientarem em situações específicas. Se não houver evidência científica suficiente, é necessário proceder a estudos, sumariar a informação relevante obtida da bioestatística e elaborar protocolos.
O tempo em que se dava credibilidade à opinião de profissionais de saúde (médicos ou outros) quando estes começavam uma frase por "da minha experiência profissional...", felizmente já lá vai. A percepção individual da estatística dos acontecimentos é quase sempre distorcida: é preciso apresentar números para fundamentar as decisões. No campo da saúde, é este o grande papel da bioestatística.

Referências

Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Bioestatística (BE)[https://woc.uc.pt/fmuc/class/getpresentation.do?idclass=356&idyear=3]

Wikipédia. Bioestatística.[http://pt.wikipedia.org/wiki/Bioestat%C3%ADstica]

Cadernos de Saúde pública. Os caminhos da Estatística e as suas incursões pela epidemiologia. [http://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S0102-311X1992000100002&script=sci_arttext]

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Crítica a um artigo científico

Não existe um modelo único que se possa seguir para criticar um artigo científico.

Quando o pretendemos fazer, podemos orientar-nos por uma série de questões gerais (veja um exemplo em Como avaliar um artigo científico) que não constituem uma regra. Pelo contrário, podem (devem) ser adaptadas a cada crítico e a cada artigo.

A redacção da crítica também é variável, dependendo do estilo da pessoa que critica o artigo e do próprio artigo a criticar. Seguem-se dois textos que poderiam ser duas críticas a dois supostos artigos: um bom artigo (crítica 1) e um mau artigo (crítica 2). Tenha atenção que os bons artigos existem mas talvez não constituam a maioria dos artigos publicados. Entre todos os outros, não conseguiria encontrar um tão mau como o que supostamente originou a crítica 2, pois se ele tivesse sido escrito, não seria aceite para publicação por nenhuma revista científica.

Os dois textos foram escritos em colunas paralelas para que o leitor interessado possa facilmente verificar as diferenças que existem na estrutura e redacção dos dois supostos artigos, ao longo do seu desenvolvimento.


Crítica 1

Crítica 2

O título descreve a essência do artigo de forma lógica, rigorosa e breve.

O título é longo e tem palavras desnecessárias (ex. um estudo de…).

Os nomes dos autores estão indicados por ordem decrescente de participação no estudo. Estão mencionadas as respectivas filiações e endereço electrónico de um dos autores para contacto.

Os autores estão indicados por ordem alfabética e a sua descrição não segue uma regra: uns tem o nome e sobrenome por extenso e outros o sobrenome por extenso e iniciais dos nomes.

O resumo especifica de forma concisa o que os autores fizeram, como fizeram, os resultados que obtiveram e a sua importância.

O resumo é demasiado extenso. É basicamente uma cópia de partes da introdução. Refere os resultados mas não especifica a sua importância.

O artigo tem uma lista de palavras-chave.

Os autores não fornecem palavras-chave.

A fundamentação teórica do estudo é satisfatória, o objectivo está bem delimitado e é relevante – acrescenta conhecimento ao” estado da arte”. O autor cita a bibliografia consultada, com rigor e fidelidade ás fontes. As frases são curtas, sem erros ortográficos, gramaticais ou técnicos. Fica clara a ideia da necessidade de efectuar o estudo. O tipo de estudo efectuado (ex. observacional) está descrito.

A introdução não obedece a uma lógica de pensamento. Os parágrafos ou são muito longos ou demasiado curtos, com menos de cinco linhas. Os autores não são objectivos: repetem-se e não se cingem ao essencial. Divagam sobre assuntos supérfluos, sem interesse para o estudo. Existem partes do texto copiadas, palavras desnecessárias e tradução literal. Foram identificados erros de carácter científico. O objectivo do estudo não está explicito.

Os procedimentos estão expostos de um modo claro. A tecnologia utilizada está descrita com detalhe suficiente para permitir a reprodução do estudo nas mesmas condições. Os autores identificam os fornecedores dos equipamentos e/ou sistemas de informação e fornecem informações sobre a verificação periódica dos mesmos, incluindo calibrações, testes de reprodutibilidade e de validade. A população está bem definida e amostra foi obtida de modo aleatório (ou de um modo que assegure a sua representatividade).

O autores não explicam com clareza e por ordem cronológica, as acções que levaram a cabo para a realização do estudo. Trata-se de um estudo no qual se pretende verificar o efeito de um tratamento na redução da dor, pelo que se deveria ter assegurado a respectiva validade interna, utilizando um grupo controlo, o que não foi realizado. Os autores são omissos quanto à validação do questionário de percepção da dor aplicado antes e depois do tratamento. Os diferentes graus de dor não estão definidos exaustivamente.

Os dados apresentam-se de forma condensada, com os resultados mais importantes destacados. Os quadros e figuras são legíveis, estão correctamente legendados e numerados sequencialmente. A análise estatísica é adequada aos dados e à questão formulada na introdução (ex. compararam-se mais de 2 grupos de uma variável quantitativa com distribuição normal, com uma análise de variância).

As tabelas são ilegíveis e não têm título. A colocação das legendas não segue as normas convencionais (acima da tabela e abaixo do gráfico). O tratamento estatístico não foi adequado (ex. compararam-se grupos –graus – da variável qualitativa ordinal “dor”, realizando o teste t para amostras emparelhadas quando deveria ter sido utilizado o teste do qui-quadrado).

Na discussão, os autores evitam tanto as repetições como o supérfluo. Discutem os resultados sem os recapitular, abordam a adequação da sua amostra ao propósito do estudo, explicam porque escolheram este método e comparam o procedimento com outros. Utilizam frases adequadas à exposição das ideias que pretendem transmitir, sem recorrer a expressões excessivas ou desnecessárias. Não se expressam de modo taxativo, pelo contrário, utilizam expressões como “os resultados sugerem”, “evidenciou-se” e “supõe-se”.

Abundam no texto e em particular no capítulo da discussão, frases introdutórias inadequadas à exposição das ideias. Exemplos: “é interessante notar que...”; “aqui trazemos nossa modesta contribuição...”; “considerando a importância de pesquisa nesta área, decidiu-se estudar...”. Os autores exprimem-se de modo taxativo com expressões tais como “afirma-se” e “comprovou-se”, que deveriam ter sido evitadas. Não comparam os resultados com outros em termos de custo/benefício ou custo/eficácia.

Os autores apresentam as conclusões, as evidências que as suportam, as implicações do estudo e a sua contribuição para a ciência e para a sociedade, numa linguagem precisa, clara e concisa.

Os autores não apresentam as conclusões de um modo conciso. Exemplo: utilizam a expressão “não há dúvida de que, com toda a probabilidade” em vez de “provavelmente”.

As referências bibliográficas são credíveis, actualizadas e citadas por outros autores. São respeitadas rigorosamente as regras conformes à Norma (ex. Vancouver) e estão listadas pela ordem em são referidas no texto.

As referências bibliográficas são escassas e em grande parte referem-se a autores sem mérito técnico-científico reconhecido – não citados por outros autores. Abundam as referências a artigos de opinião.

O artigo está organizado de uma forma lógica e bem apresentado. Os autores utilizam uma linguagem impessoal, coerente, correcta e precisa (sem recurso a palavras ou expressões com duplo sentido), não deixando dúvidas na exposição das suas ideias. O artigo é acessível a qualquer profissional da área. Existe interligação entre as partes do artigo, de modo a que este forme um todo.

A organização do artigo não segue completamente as normas estabelecidas. Os autores não separam os procedimentos dos resultados. A forma ambígua como se exprimem não é completamente esclarecedora das suas ideias. Utilizam excesso de adjectivação, bem como argumentações emotivas e sentimentais. O estudo não é original (ex. existe uma publicação anterior de um artigo idêntico.



Referência

Maria Cristina Martins. Artigo Científico: escrever, publicar e apresentar. Apresentação para a semana pedagógica. URL: www.faculdadedombosco.edu.br/downloadAnexo.php?type=noticia&id=14 – (acedido em 10 de Junho de 2009).

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Course Hero – o conhecimento numa rede social

O Course Hero é um curso online em língua inglesa acessível a todos e especialmente útil para estudantes. Não é preciso increver-se num curso e seguir o ritmo das lições como nos cursos convencionais. Aqui, o estudante acede aos assuntos que lhe interessam, consulta os textos, realiza exercícios (Computer Science Test) e obtém soluções (Computer Science Textbook Answer) conforme as suas próprias necessidades. São disponibilizados materiais de estudo, textos de ajuda, grupos de estudo e um dicionário com tradutor.

Não se trata de um normal curso online nem se aplica apenas a estudantes. O Course Hero é útil para professores e para todos os que procuram conhecimento. Para além de ser um sítio online recheado de conhecimento, o curso possibilita uma aprendizagem colaborativa, dado que as pessoas de todo o mundo que o frequentam podem comunicar entre si, de forma anónima ou não, conforme a sua preferência.

Escolha a matéria que lhe interessa, estude, faça exercícios e consulte as soluções. Se ainda assim tiver dúvidas, coloque uma pergunta e obtenha a resposta: há sempre alguém disposto a judar. Isto porque, para além de todas as vantagens já referidas, o curso corre numa aplicação do Facebook, uma das principais redes sociais do mundo. Apenas necessita ter registo na rede (simples e gratuito) para aceder ao Hero Course.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Pandemias

Para ser declarada uma pandemia, têm que ser reunidas três condições:

  • O aparecimento de uma nova doença;
  • A doença tem que ser provocada por um agente infeccioso;
  • O agente infeccioso transmite-se de humano a humano em múltiplos países de múltiplas regiões.

As pandemias só podem ser provocadas por um agente infeccioso (bactéria, vírus...). Uma doença não pode ser considerada uma pandemia somente porque provoca muitas mortes (ex. as doenças cardiovasculares causam muitas mortes mas não provocam uma pandemia).

As pandemias virais são especialmente difíceis de combater devido à grande capacidade de mutação dos vírus, o que torna seu controlo e profilaxia uma tarefa complicada e nem sempre bem sucedida.

A influenza, também conhecida como gripe, é uma doença viral que foi, possivelmente, adquirida através do contacto humano com animais domesticados.

Pensa-se que a maioria das pandemias de gripe tenham tido origem na China, onde a agricultura tradicional faz com que as aves, os suínos e os seres humanos estejam em contacto próximo, o que propicia um "laboratório" natural para novas recombinações de vírus da gripe.

Seguem-se três excertos do artigo “Conheça as pandemias no mundo nos últimos 200 anos 11/06/2009 - 14:06” publicado no jornal online Último Segundo, que resumem muito bem as pandemias de que há relato até ao século XX: peste Justiniana, cólera, varíola e peste negra.

«A primeira pandemia conhecida da doença foi a da "Peste Justiniana", que matou milhões de pessoas no Império bizantino, entre os séculos VI e VIII.»

«Entre os séculos XIV e XVII, a segunda pandemia da peste tinha dizimado mais de 30% da população europeia (25 milhões de mortos).»
«1817 – Cólera - A primeira "epidemia global" documentada de cólera se estendeu do sudeste asiático para o resto do mundo e, desde então, a OMS contabilizou sete pandemias.

Até 1860, houve 15 milhões de mortos na Índia e dois milhões na Rússia. A quinta pandemia causou 120 mil mortes na Espanha, em 1885 e, na sexta pandemia (1899-1923), 500 mil russos, 800 mil indianos e 200 mil filipinos contaminados morreram. A última começou na Indonésia, em 1961, e se estendeu pela Ásia, Europa e África.Ressurgiu na América Latina em 1991, matando quatro mil pessoas.

1824-1840 - Varíola - A doença causada pelo vírus "orthopoxvirus" ressurgiu em 1824 e se estendeu por quase toda Europa, depois de causar 827 mil mortes na Rússia, entre 1804 e 1810. Um novo aumento do número de casos foi registrado durante a Guerra Franco-Prussiana (1870-1871), provocando mais de meio milhão de mortes. Sucessivas campanhas de vacinação permitiram sua erradicação total em 1979.


1855 - Peste Negra - A terceira pandemia da peste surgiu na China, causada pela bactéria "Yersinia pestis" e transmitida por roedores. Estendeu-se pelo mundo e, só na Índia, matou dez milhões de pessoas até o fim do século. Em 1900, ressurgiu em São Francisco e causou 113 mortos.»

No século XX, há registo de três pandemias de gripe, que tiveram o efeito nefasto de causar milhões de mortes mas também foram impulsionadoras dos grandes avanços que se verificaram na área da microbiologia, da biotecnologia e dos cuidados de isolamento.

Durante a Primeira Guerra Mundial, em que morreram mais de 9 milhões de soldados nos vários campos de batalha, as condições sanitárias estavam degradadas e as casernas sobrelotadas. No final da guerra, 1918-1919, muitos soldados estavam contagiados pela gripe, que ficou conhecida como Gripe espanhola ou peste pneumónica. As condições eram propícias para que este surto alastrasse e se tornasse rapidamente numa pandemia. Além da Europa, a gripe espanhola atingiu regiões tão longínquas como o Alasca, a Austrália, a China, a África do Sul ou o Norte da Noruega. O número de mortes provocadas pela doença ultrapassou em muito o número de mortos nos campos de batalha. Estima-se que aproximadamente de 20 a 40% da população mundial tenha adoecido e que tenham morrido de 40 a 50 milhões de pessoas. O agente causal da gripe, que hoje se conhece como o vírus influenza, à data ainda não era conhecido. A comunidade científica comemorava as recentes descobertas da bacteriologia de que cada doença tinha uma causa, que o conhecimento desta permitiria o desenvolvimento das estratégias mais adequadas para o seu combate e pensava-se que em breve a humanidade se livraria de qualquer moléstia de carácter contagioso. No entanto, a bacteriologia não estava preparada para detectar, reconhecer e identificar o vírus responsável pela influenza, o que só viria a acontecer em 1930. A doença, causada por uma cepa denominada H1N1, subtipo do vírus da gripe suína é conhecida como "gripe espanhola" porque somente a imprensa da Espanha publicava notícias sobre o assunto.


Em 1957 surgiu a "Gripe asiática", que em Portugal chegou a levar ao fecho de escolas. O vírus H2N2 fez suas primeiras vítimas na China, onde foi pela primeira vez isolado. Em dois meses, a doença espalhou-se por Hong Kong, Singapura, Índia e todo o Oriente. Depois foi a vez da África, Europa e, por último, Estados Unidos. Uma segunda onda da infecção surgiu em 1958. Mais de um milhão de pessoas morreram. O artigo Pandemics and Pandemic Threats since 1900 publicado no site PandemicFlu.gov relata que, ao contrário do que tinha acontecido por ocasião da pandemia de “gripe espanhola”, quando surgiu a gripe asiática o vírus foi rapidamente identificado e foi produzida uma vacina disponibilizada em Agosto de 1957 e que nesse verão, nos Estados Unidos, houve apenas uma série de pequenos surtos de gripe. Em Outubro desse ano, a gripe infectava sobretudo crianças, jovens e mulheres grávidas. Entre Setembro de 1957 e Março de 1958, registavam-se altas taxas de mortalidade por pneumonia associada à gripe na população mais velha. Este é o exemplo (lê-se no artigo) de como numa pandemia de gripe, quando parece que a doença está controlada, existe o potencial de ressurgir numa segunda onda, afectando outros grupos da população.

A Gripe de Hong Kong, em 1968-1969 foi a terceira pandemia do século passado. A cepa do subtipo H3N2 surgiu na China, em Julho de 1968 e passou para Hong Kong, para depois chegar aos EUA, Europa, Sudeste Asiático, Japão, América do Sul e África. Números da OMS sugerem que um milhão de pessoas morreram, bem menos do que a pandemia de dez anos antes. Este facto, foi atribuído a dois factores:

«em primeiro lugar, as estirpes das gripes "de Hong-Kong" e "asiática" tinham semelhanças genéticas (a imunidade desenvolvida na população contra a estirpe "asiática" pode ter conferido alguma protecção contra a estirpe "da gripe de Hong-Kong"); em segundo lugar, pensa-se que uma estirpe de gripe semelhante à do vírus da "de Hong-Kong" poderá ter circulado entre os finais do século XIX e os primeiros anos do século XX, havendo ainda algumas pessoas com mais de 60 anos de idade com imunidade residual».

Um terceiro factor é apontado em PandemicFlu.gov: os doentes tiveram acesso a melhores cuidados médicos e antibióticos mais eficazes para tratar as infecções secundárias.


Em 11 de Junho de 2009 a Gripe A, causada pelo vírus H1N1, foi declarada a primeira pandemia do século XXI pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mais uma que se soma aos outros surtos deste tipo que afectaram a humanidade ao longo da história, a cujo desenlace assistiremos “in loco”.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Como avaliar um artigo científico

Antes de se fazer qualquer avaliação, é necessário saber o que é avaliar. Uma das possíveis definições do termo ‘avaliar’ pode ser: “reunir informações sobre o valor ou mérito de um objecto utilizando um método sistemático”.

Esta definição é quase perfeita (Trochim, 2006) mas existem muitas avaliações que não são necessariamente resultado de reunião de informações sobre o valor ou mérito, como por exemplo os estudos descritivos, a execução de análises ou a avaliação formativa.

Avaliar pode ser também a “aquisição de informações sobre o impacto e a efectividade de um evento utilizando um método sistemático” ou ainda “aquisição sistemática de informações úteis para fornecer feedback sobre algum objecto”. O termo “objecto” pode referir-se a um programa, política, tecnologia, pessoa, necessidade, actividade, e assim por diante.


Questões e métodos de avaliação ou crítica de um artigo científico

O conteúdo de um artigo científico deve ser original e deve ter relevância para a ciência. Os avaliadores fazem vários tipos de perguntas e utilizam vários métodos para os formular. Exemplos:


O título descreve a essência do artigo? É curto (menos de treze palavras)?


A identificação do(s) autor(es) e a respectiva filiação (instituição a que pertencem) estão indicados?


O resumo não excede 200 palavras? Especifica de forma concisa o que o autor fez, como fez, os resultados que obteve e a sua importância?


O artigo tem uma lista de palavras-chave (keywords)?


Qual é a definição, a natureza e o alcance do problema ou da questão? ou “Qual é a questão?” ouOnde está o problema e quão grande ou grave é?”


A essência do ‘estado da arte’ no domínio abordado está descrita?


Que tipo de estudo foi realizado?


Qual é o objectivo do estudo?


Qual é a relevância para fazer progredir o ‘estado da arte’?


Na introdução, o autor deve explicar como é que os investigadores identificaram uma questão e a necessidade de obter uma resposta. Deve incluir análise das fontes de dados existentes – estado da arte -, ou seja, referência ao que já foi feito e se sabe sobre o assunto pesquisado. A introdução fornece ao leitor o enquadramento para a leitura do artigo e deve fornecer resposta à questão mais abrangente, que resume as anteriores: Porque houve necessidade de efectuar este estudo? Ainda na introdução deve estar descrito o tipo de estudo que foi efectuado (observacional, quasi-experimental, experimental…).


Que programa ou tecnologia se utilizou para resolver o problema?


Qual é o desempenho do programa ou da tecnologia utilizada?


Em Materiais e métodos, são importantes os detalhes do programa ou da tecnologia utilizada. A descrição da(s) técnica(s) deve(m) ser suficientemente detalhada(s) para permitir a reprodução do estudo. Toda a proposta de técnica ou modelo deve possuir uma validação detalhada (Pamplona, 2009). Inclui monitorização de técnicas qualitativas e quantitativas e sistemas de informação.


Os resultados estão resumidos em tabelas e gráficos?


Os resultados mais importantes estão reaçados?


Utilizaram-se os métodos estatísticos apropriados?


Os Resultados são a parte mais importante do trabalho. Nesta secção apresentam-se os dados de forma condensada, com as idéias mais importantes ressaltadas (em destaque).


Os objetivos foram alcançados?


As questões propostas foram respondidas?


Na Discussão, discutem-se os resultados, evitando a sua recapitulação ou repetição do que foi escrito na secção anterior. Maria Cristina Martins propõe a seguinte estrutura para a redacção da discussão: «É mais simples, em primeiro lugar, redigir a discussão relacionada ao material e aos métodos. Por que foram escolhidos os indivíduos, os grupos e os métodos utilizados no trabalho? Este procedimento foi adequado à pesquisa proposta? Havia outras possibilidades metodológicas quanto aos indivíduos escolhidos? Quais as vantagens e desvantagens do procedimento usado em relação a outros?». Pode incluir métodos de avaliação custo/eficácia e custo/benefício.


As conclusões são claras?


As evidências que suportam cada conclusão estão sumariadas?


Qual foi a eficácia do programa ou tecnologia?


Qual foi o impacto do estudo?


Na Conclusão, apresentam-se as conclusões, as evidências que as suportam, e as implicações do estudo e a sua contribuição para a ciência e para a sociedade.


Referências

  • Introduction to Evaluation. Trochim, William M. The Research Methods Knowledge Base, 2nd Edition. Internet WWW page, at URL: http://www.socialresearchmethods.net/kb/ (version current as of 10/20/2006).
  • Vitor Pamplona. Como Revisar um Artigo Científico. Publicado em Jan 27, 2009 URL: http://vitorpamplona.com/wiki/Como%20Revisar%20um%20Artigo%20Cient%C3%ADfico (acedido em 10 de Junho de 2009).
  • Maria Cristina Martins. Artigo Científico: escrever, publicar e apresentar. Apresentação para a semana pedagógica. URL: www.faculdadedombosco.edu.br/downloadAnexo.php?type=noticia&id=14 – (acedido em 10 de Junho de 2009).

sábado, 6 de junho de 2009

Células estaminais curam a cegueira

As células estaminais também chamadas células-tronco, são células indiferenciadas, ou seja, não possuem uma função determinada. Podem transformar-se em vários tipos de células diferentes, através de um processo denominado “diferenciação”.

A sua principal característica é a capacidade de se transformar em vários tipos de tecidos que constituem o corpo humano. Elas podem ser de dois tipos: embrionárias ou adultas. As embrionárias são aquelas que são retiradas do animal ainda na fase de embrião. Como característica principal apresentam uma enorme capacidade de se transformar em qualquer outro tipo de célula. As células estaminais adultas podem ser encontradas em várias partes do corpo humano. As mais usadas para fins medicinais as células do cordão umbilical, da placenta e da medula óssea. Para além da medula óssea, outros tecidos de onde se podem extrair células estaminais adultas são a retina, a córnea, a polpa gengival, a pele, o fígado, o tracto gastrointestinal e o pâncreas. Pelo facto de serem extraídas do próprio paciente, oferecem pequeno risco de rejeição nos tratamentos médicos. A principal desvantagem em relação às células estaminais embrionárias é a sua menor capacidade de transformação.

Os cientistas tem tentado encontrar a cura para várias doenças – Parkinson, Alzheimer, acidentes vasculares cerebrais, a diabetes, doenças cardíacas e até mesmo a paralisia – utilizando as células estaminais, especialmente as embrionárias mas em muitos países existem impedimentos legais para a utilização destas células e outros ainda não possuem leis claras que regulem a investigação de células estaminais humanas.

Em virtude destes impedimentos, as células estaminais mais utilizadas têm sido as adultas, encontradas na medula óssea dos adultos, as quais têm o potencial de se diferenciarem em diferentes linhagens celulares. Estas células têm a capacidade de se auto-renovar durante toda a vida do organismo.

Tem havido investigações no sentido de manipular as células estaminais adultas para se diferenciarem em células de diferentes tecidos tais como células nervosas, do cérebro, do fígado e do coração.

As pesquisas no tratamento e cura de doenças com células estaminais, têm-se revelado auspiciosas. Eis uma boa notícia, que traz esperança às pessoas invisuais ou que têm visão reduzida, publicada no artigo Stem Cell Contact Lenses Cure Blindness in Less Than a Month de Adam Frucci. Foi restabelecida a visão de três pessoas, duas cegas de um dos olhos e uma com visão muito reduzida também num dos olhos, em menos de um mês, com lentes de contacto revestidas com cultura de células estaminais.

Foram extraídas células estaminais dos olhos sãos, as quais foram foram cultivadas em lentes de contacto durante 10 dias e depois colocadas nos respectivos pacientes. Dentro de 10 a 14 dias de utilização, as células estaminais começaram a colonizar e a reparar a córnea.

O grau de recuperação da visão nestes três pacientes não foi igual. Os que tinham cegueira total, passaram a conseguir ler letras grandes e o que tinha ainda alguma capacidade de visão passou a ver normalmente.

A equipa de pesquisa está animada com os resultados mas ainda é cautelosa: ainda restam dúvidas quanto a saber se a correcção da visão será permanente. Para já, é encorajador o facto de que os pacientes tenham, não apenas recuperado a visão mas também tenham mantido a recuperação da visão nos últimos 18 meses.

A simplicidade da técnica e o seu baixo custo permitirá que eventualmente ela seja levada a cabo em países com baixos recursos.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Histograma

Por vezes não é conveniente apresentar as frequências de todos os valores de uma variável. Neste caso podem-se agrupar os valores em categorias (por exemplo, em intervalos de idade) e determinar então a frequência de cada classe.

Um histograma é uma representação gráfica da distribuição de frequências com que ocorre uma medida dentro de um intervalo de medidas, num gráfico de colunas ou barras verticais. É composto por rectângulos adjacentes em que a base de cada um deles corresponde ao intervalo de classe e a sua altura à respectiva frequência. Quando o número de dados aumenta indefinidamente e o intervalo de classe tende a zero, a distribuição de frequência passa para uma distribuição de densidade de probabilidades.

A construção de histogramas tem carácter preliminar em qualquer estudo em que temos dados contínuos e é um importante indicador da distribuição destes dados. Os histogramas são particularmente úteis para variáveis contínuas ou variáveis com poucos valores repetidos. Eles podem indicar se uma distribuição se aproxima de uma função normal, e também podem indicar mistura de populações quando se apresentam bimodais.

A característica geométrica do histograma permite-nos retirar informações úteis sobre os dados, tais como:

  1. A localização do "centro" dos dados.
  2. O grau de dispersão das observações.
  3. A extensão em que é assimétrico, ou seja, desigual de ambos os lados do seu pico.
  4. A altura das colunas ou barras.

Antes de construir um histograma devemos definir o número de classes que pretendemos. O número de classes de um histograma é arbitrário mas um número muito reduzido ou demasiado grande não fornece uma imagem muito clara da distribuição das frequências.

Há métodos que podem ser utilizados para calcular o número de classes de um histograma. A regra de Sturge permite determinar o número de classes (k), quando n ≥ 30.

Nº de classes (k) = 1 + 3,322log10(n)

onde Log10 é o logarítmo de base 10 e n é o número de valores numéricos do conjunto de dados.

domingo, 31 de maio de 2009

Construção de gráfico de colunas no Excel

O gráfico de barras ou de colunas é frequentemente utilizado para mostrar a relação entre duas variáveis categóricas.

O gráfico de Pareto é um gráfico de colunas, com a particularidade de ser um gráfico de frequências para variáveis qualitativas, em vez de se utilizarem dados quantitativos agrupados em classes.

Exemplo: registaram-se as frequências de tipo de calçado usado por uma turma de alunos numa determinada aula. Com estes dados construiu-se um gráfico de colunas, numa folha de cálculo excel.

As variáveis independentes, neste caso categóricas (sapato, sapatilha, bota), foram registadas na coluna A da folha de cálculo. As variáveis resposta, ou seja, a frequência absoluta observada para cada variável foi registada na linha respectiva, na coluna B.

Para construir o gráfico, clicar numa célula vazia afastada dos dados. Clicar sucessivamente em: , , . Em 'Subtipo de gráfico', escolher colunas agrupadas. Clicar em . Com o cursor em 'Intervalo de dados' seleccionar os registos pretendidos, clicando na célula A1 e arrastando o cursor até B3. Clicar em . Nesta fase, pode formatar-se o gráfico, eliminando as linhas de grelha ou a legenda, por exemplo, ou alterando as cores da área de desenho ou das colunas. Podem adicionar-se títulos ou alterar a escala no eixo dos yy, clicando nos separadores respectivos. Clicar em .

O gráfico resultante é uma imagem que pode ser copiada e colada numa folha Word.



quinta-feira, 28 de maio de 2009

Esclerose múltipla - doença crónica

A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença não contagiosa que afecta as células nervosas de mais de um milhão de pessoas em todo o mundo.

Os estudos epidemiológicos apontam para a existência de 450.000 pessoas com Esclerose Múltipla só na Europa, sendo a incidência maior nos países nórdicos. Estima-se que o número de doentes em Portugal seja da ordem dos 5000.

É uma doença inflamatória crónica, desmielinizante e degenerativa, do sistema nervoso central que interfere com a capacidade do mesmo em controlar funções como a visão, a locomoção, e o equilíbrio, entre outras.

  • Denomina-se Esclerose pelo facto de, em resultado da doença, se formar um tecido parecido com uma cicatriz, que endurece, formando uma placa em algumas áreas do cérebro e medula espinal.
  • Denomina-se Múltipla, porque várias áreas dispersas do cérebro e medula espinal são afectadas.
  • É desmielinizante porque há caracteristicamente lesão das bainhas de mielina que envolvem as fibras nervosas.
  • É degenerativa porque surge também lesão da própria fibra nervosa, por vezes irreversível.


Sintomas

Os sintomas podem ser leves ou severos, e aparecem e desaparecem, total ou parcialmente, de maneira imprevisível.

Segundo a Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla, os sintomas mais frequentes na EM são (com a percentagem de doentes dela sofrendo, em média, indicada entre parênteses):

  • Alterações do equilíbrio (78%)
  • Perturbações da sensibilidade (71%)
  • Fadiga (65%)
  • Paraparésia (62%)
    • Paralisia incompleta de nervo ou músculo dos membros inferiores ou superiores que não perderam inteiramente a sensibilidade e o movimento.
  • Sintomas urinários (62%)
  • Disfunção sexual (60%)
  • Perda Visual (55%)
  • Monoparésia (52%)
    • Paralisia incompleta de nervo ou músculo de um só membro que não perdeu inteiramente a sensibilidade e o movimento.
  • Incoordinação motora (45%)
  • Diplopia (43%)
    • Visão dupla de um mesmo objecto.
  • Alterações sensoriais (40%)
  • Dor (25%)


Sistema Nervoso Central

O Sistema Nervoso Central, é constituído pelo cérebro e pela medula espinal, e funciona como uma "central de comandos", enviando mensagens eléctricas e químicas através dos nervos para as diversas partes do corpo. Estas mensagens controlam todas as funções, em particular os movimentos, conscientes e inconscientes do nosso corpo. A comunicação ocorre através de impulsos nervosos – sinais eléctricos conduzidos ao longo dos nervos.


Sistema Nervoso Periférico

Para além do Sistema Nervoso Central, existe também o Sistema Nervoso Periférico, composto pelos nervos distribuídos pelo corpo, os quais podem ser de dois tipos, os nervos sensitivos e os nervos motores.

Os nervos sensitivos conduzem as informações da periferia para o Sistema Nervoso Central, por exemplo acerca do que se vê, ouve, cheira, sente e saboreia.

Os nervos motores transportam os sinais de comando do Sistema Nervoso Central aos músculos, para o controlo do movimento e das funções corporais em geral, como a frequência cardíaca, respiração, digestão, produção de suor.


A função do sistema nervoso central e a substância branca

No sistema nervoso central existem células nervosas. Quando observados a olho nu, os tecidos que contêm células nervosas apresentam uma tonalidade cinzenta. Por essa razão, são conhecidos como «substância cinzenta». Estas células nervosas estão ligadas entre si e ao resto do corpo por fibras nervosas chamadas axónios.

Através dos axónios são emitidos sinais eléctricos muito fracos, o que permite a troca de informação entre as células nervosas. Os axónios são mais claros do que as células nervosas porque são envolvidos pela chamada «substância branca», ou mielina.

A mielina é uma substância gorda que envolve as fibras nervosas e funciona como uma espécie de isolamento em torno das fibras nervosas, permitindo que a informação (sinais ou impulsos eléctricos) seja transmitida mais rapidamente do cérebro ao resto do corpo, ou de uma parte específica do corpo ao cérebro.

A bainha de mielina contém interrupções chamadas "nós" de "Ranvier". Ao saltar de "nó" em "nó", a condução do impulso torna-se muito mais rápida do que se tivesse de ser efectuada ao longo de todo o comprimento da fibra nervosa. Os nervos mielinizados podem transmitir um sinal a velocidades tão elevadas como 100 metros por segundo.


Desmielinização na Esclorese Múltipla

A baínha de mielina – um complexo lipoproteico formado pelas células da glia ou oligodendrócitos – protegem as longas fibras nervosas dos neurónios (os axónios), tal como o isolamento de um fio eléctrico. Este isolamento ajuda a transmitir os impulsos nervosos de um nó de Ranvier para outro.

Quando a baínha de mielina é danificada (hipóxia, químicos tóxicos, insuficiencia vascular ou resposta autoimune), inflama-se e a camada membranar quebra-se em pequenos componentes, num processo chamado desmielinização. Estes componentes são circunscritos em placas formadas por elementos da microglia, da macroglia e linfócitos.

Uma baínha de mielina danificada impede a condução nervosa normal, o que resulta em disfunção neurológica. A perda de bainha de mielina que envolve o nervo origina vários sintomas, porque a transmissão dos impulsos nervosos é atrasada ou bloqueada, uma vez que tem agora de ser efectuada continuamente ao longo de toda a fibra nervosa. Uma área onde a mielina foi destruída é denominada lesão ou placa.

Este atraso de condução nervosa e o "curto-circuito" dos impulsos nervosos provocados pelas lesões, originam vários sintomas relacionados com a actividade do sistema nervoso. Após algumas semanas, depois de a inflamação ter desaparecido, o sistema nervoso pode ser reparado. É também possível que a mielina seja reconstituída (a isto chama-se «remielinização» ou reposição da mielina). Mas quando a inflamação cobre uma grande área, pode deixar uma cicatriz no sistema nervoso. A cicatriz é conhecida como uma «placa».

No processo de desmielinização, a bainha de mielina que envolve as fibras nervosas desaparece gradualmente porque a camada de mielina é destruída. A camada de mielina torna-se cada vez mais fina. A transmissão de informação pela fibra nervosa torna-se mais difícil. Pode acontecer, eventualmente, que a transmissão de informação seja bloqueada e, em casos extremos, que as fibras nervosas sejam mesmo destruídas.


Causas da Esclerose Múltipla

Apesar das grandes pesquisas efectuadas, ainda não se sabe exactamente quais são as causas da EM. Mas existem algumas ideias sobre os factores que podem ser responsáveis.


Factor ambiental. A EM não ocorre com a mesma frequência em todos os países do mundo. Afecta em especial as pessoas de raça branca, na Europa, América do Norte e Austrália. As diferenças não são tão acentuadas como se pensava anteriormente, mas sabemos hoje que tanto no Hemisfério Norte como no Hemisfério Sul, a EM é tanto mais frequente quanto mais afastado do equador está o país.

Aparentemente, as pessoas mais idosas que emigram têm as mesmas probabilidades de sofrer de EM do que se permanecessem nos seus países de origem, mas as crianças que emigram têm as mesmas probabilidades de vir a sofrer de EM que as pessoas que sempre viveram no país para o qual as crianças emigraram.

Parece existir um ponto de viragem por volta dos quinze anos de idade que influencia os riscos de contrair EM. Por isso, pensa-se que o meio ambiente em que as pessoas vivem pode ter algo a ver com o desenvolvimento da EM.

Vírus. Foram realizadas muitas pesquisas sobre as possíveis ligações entre EM e toda a espécie de vírus, ou com algum tipo de doença viral contraída na infância. Mas até ao momento não foram encontradas provas seguras da existência de um vírus específico responsável pela EM. Existem algumas teorias sobre a influência da dieta nas probabilidades de contrair EM, mas a ligação não é muito clara.


Factor hereditário. Sabe-se que a EM é, até certo ponto, hereditária. Resultados de estudos em gémeos verdadeiros (homozigóticos) confirmam-no. No entanto, se a doença fosse definitivamente hereditária deveria afectar não apenas um, mas os dois gémeos, mas as probabilidades de isto acontecer na EM não são de 100%, mas sim de 25%.

No que diz respeito aos membros de uma família com EM, estes têm um risco maior de contrair a doença do que alguém sem familiares com EM. A nível mundial, observam-se diferenças nítidas na incidência da EM: afecta principalmente pessoas de raça branca.

Este facto pode igualmente apontar para um factor hereditário entre as causas da EM. Presentemente, em algumas doenças hereditárias, sabemos que é possível assinalar a posição exacta onde o factor hereditário se localiza no nosso material genético, os cromossomas. Infelizmente, na EM a investigação científica ainda não chegou aos mesmos resultados.


Doença auto-imune. A EM é uma doença «auto-imune»: são os próprios doentes que sofrem de EM que produzem reacções inflamatórias contra o seu próprio tecido nervoso. De forma genérica, as reacções inflamatórias ocorrem apenas quando o sistema imunológico reage a vírus e bactérias que penetram no organismo. Mas em casos excepcionais, pode ocorrer uma reacção inflamatória contra tecidos ou partes do próprio organismo, tal como acontece com a mielina na EM ou com as articulações na doença reumática.


Combinação de factores. Crê-se, regra geral, que a EM seja causada por uma combinação de factores. É provável que as pessoas com EM, por razões hereditárias, sejam, até certo ponto, propensas a desenvolver a doença. Então, um factor ambiental desconhecido poderá activar o sistema imunológico, conduzindo a uma doença auto-imune, que ataca posteriormente a substância branca do sistema nervoso central.


Evolução da Esclerose Múltipla.

Os primeiros sinais de EM manifestam-se frequentemente entre os 20 e os 40 anos de idade. A EM pode começar tanto na infância, como nos idosos. A progressão da doença a partir daí é muito variável, dependendo da gravidade da inflamação e do ritmo a que a mielina se deteriora. O doente poderá aperceber-se da inflamação da substância branca do sistema nervoso central através dos sintomas que surgem. Um período destes tem o nome de “surto”, “exacerbação” ou “recidiva”.

Quando a inflamação abranda, nota-se que os sintomas da EM também diminuem: a isto chama-se «remissão» ou «recuperação». A recuperação normalmente não significa um regresso ao estado anterior ao surto. Alguns sintomas podem persistir.

Em virtude da evolução da Esclerose Múltipla ser imprevisível as necessidades e as capacidades variam, assim uma reavaliação médica periódica é fundamental. Os medicamentos são também imprescindíveis, nomeadamente os relaxantes musculares, pois permitem reduzir a tensão dos músculos e melhorar os movimentos. Nos últimos anos utilizam-se diversos fármacos que actuam no sistema imunitário, chamados imunomoduladores, como os Interferões-beta e o acetato de glatiramero, entre outros, que ajudam a modificar a alteração da doença.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Representação dos dados em gráficos

Uma das formas mais comuns para descrever uma única variável é com uma distribuição de frequências. As distribuições de frequência podem ser representadas de duas formas: em tabela ou em gráfico.

Retornando ao exemplo dado em Frequências relativas e acumuladas, a tabela de distribuição de frequências das idades agrupadas em 7 classes, poderia ser a seguinte.


Os gráficos de distribuição de frequências mais frequentes são:
  • Gráficos de frequências;
  • Histogramas;
  • Diagramas de dispersão (scatterplot);
  • Gráficos circulares (pie charts).

Gráficos de frequências são gráficos de barras que traduzem graficamente o conteúdo da tabela de frequências. Os gráficos de frequências (não acumuladas) são apropriados para dados qualitativos ou numéricos discretos.

Os mais habituais são os gráficos de frequências absolutas ou relativas, mas também podemos construir gráficos de frequências absolutas ou relativas acumuladas.

Quando as frequências absolutas são reduzidas e a gama de valores da amostra é dispersa os gráficos de frequências tornam-se pouco interessantes (muito irregulares).

Um histograma é uma representação gráfica da distribuição de frequências com que ocorre uma medida dentro de um intervalo de medidas, num gráfico de colunas ou barras verticais. É composto por rectângulos adjacentes em que a base de cada um deles corresponde ao intervalo de classe e a sua altura à respectiva frequência.

Os diagramas de dispersão são gráficos que permitem relacionar duas variáveis entre si. Representam-se pares de dados (x,y), onde no eixo horizontal marcam-se os valores de x e no eixo vertical os valores de y.


Para representar os dados em termos percentuais, particularmente úteis para variáveis qualitativa ou quantitativas ordinais são os gráficos circulares.


Outros gráficos também muito utilizados são os diagramas de extremos e quartis (box-plots) e os diagramas de caule-e-folhas.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Benefícios das microalgas na saúde

As microalgas serão "ingrediente do futuro" (Luisa Gouveia, Expresso). As propriedades nutricionais das microalgas tornam-nas adequadas para serem integradas na composição de novos alimentos – alimentos funcionais.

Alimentos funcionais são os alimentos que fazem parte da dieta normal (pão, leite, etc.) mas que, além das suas funções nutricionais básicas: contem minerais específicos, vitaminas, ácidos gordos ou fibra; são enriquecidos com componentes adicionados – componentes biologicamente activos (fitoquímicos ou outros antioxidantes) ou probióticos (ex. microrganismos no iogurte) –, com o objectivo de promover a saúde e reduzir o risco de doenças.

Os alimentos do futuro, como as micro-algas, vão poder ajudar-nos a reduzir o risco de doenças cardiovasculares, diabetes ou mesmo de cancro (CiênciaHoje. Micro-algas e outros alimentos do futuro vão ajudar a prevenir doenças).

No campo da saúde, as microalgas serão um ingrediente funcional do futuro. «É possível produzir novos alimentos, mais saudáveis, nomeadamente ricos em antioxidantes e ácidos gordos poliinsaturados, do tipo ómega-3, com vantagens do ponto de vista económico - porque prevenir doenças é mais barato do que curá-las - e social - porque não é necessário que as pessoas mudem comportamentos alimentares para obterem benefícios» (Luísa Gouveia).

Já há alguns anos que se extraem das microalgas compostos com propriedades nutricionais e farmacêuticas, tais como ácidos gordos poliinsaturados, carotenóides, ficobilinas, polissacarídeos, vitaminas, esteróis e diversos compostos bioactivos naturais como antioxidantes, redutores do colesterol etc., os quais podem ser empregues especialmente no desenvolvimento de alimentos funcionais (Microalgas, produtos e aplicações). A investigadora do INETI, Luisa Gouveia, acrescenta ainda que a grande riqueza nutricional das microalgas tem uma eficácia superior em relação às tradicionais culturas vegetais terrestres.

As microalgas também são ricas em vitaminas, oligoelementos e proteínas e têm a mesma quantidade de hidratos de carbono de outras espécies vegetais. Depois de processadas, podem ser transformadas em cápsulas ou incorporadas nas farinhas para confeccionar pão e outros produtos.

As microalgas verdes podem vir a desempenhar um papel importante, não apenas na alimentação e na saúde mas também na produção de energia, no desenvolvimento sustentado e na gestão dos recursos naturais porque a sua cultura é menos exigente em termos nutricionais do que as plantas (quase só precisam de água), crescem com rapidez e exponencialmente (duplicam em 1-2 dias), são ricas em lípidos que podem ser utilizados como biocombustíveis (biodisel, bioetanol e biohidrogénio), podem ser colhidas em qualquer época do ano e têm um papel ecológico semelhante ao das plantas, consumindo dióxido de carbono e libertando oxigénio para a atmosfera.

domingo, 24 de maio de 2009

Construção de um ficheiro de dados no Excel

Um ficheiro de dados construído numa folha de cálculo Excel, pode facilmente ser aberto com o SPSS. Para que esta acção se possa realizar de um modo satisfatório, devem seguir-se algumas regras, muito simples mas imprescindíveis.
  1. A identificação das variáveis deve realizar-se na primeira linha, começando na primeira coluna.
  2. O nome da variável deve ser curto e sem espaços.
  3. Cada variável deve ser inserida numa coluna.
  4. As colunas devem ser preenchidas consecutivamente.
  5. A cada linha corresponde um caso.
  6. Apenas a folha onde se constrói o ficheiro de dados deve existir - as restantes devem ser eliminadas.

Exemplo: Num parque encontram-se 9 crianças a brincar, com idades compreendidas entre 2 e 8 anos. Construamos um ficheiro de dados com os nomes e as idades de todas as crianças numa folha de cálculo Excel.

Na primeira linha e na primeira coluna, identifique a variável "nome". Nas linhas seguintes, na mesma coluna, insira os nomes das crianças. Na primeira linha e na segunda coluna, identifique a variável "idade". Nas linhas seguintes, na mesma coluna, insira as idades das respectivas crianças. Clique consecutivamente nos separadores das folhas 2 e 3 do livro, com o lado direito do rato e clique em Eliminar. Guarde o ficheiro, atribuindo-lhe o nome "crianças no parque" (não coloque as aspas).

Neste ficheiro de dados, pode inserir mais variáveis e casos. Não deve, no entanto, proceder nela a nenhuma outra actividade, nem mesmo testes estatísticos realizados sobre este dados, sob pena de danificar a estrutura de ficheiro de dados para a qual foi concebida. Para realizar testes estatísticos pode copiar o ficheiro, atribuir-lhe outro nome, guardar e então trabalhar os dados copiados. Assim, o seu ficheiro original ficará sempre disponível para ser preenchido com mais dados e porventura para ser aberto por outro programa ou software estatístico.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Controlo das epidemias víricas

Os agentes microbianos responsáveis pelas doenças infecciosas que afectam os humanos, têm características particulares que por sua vez determinam as acções a tomar para o seu controlo.

Das características biológicas dos vírus, em particular, depende a eficácia das medidas de controlo. Os vírus simples, como o vírus do sarampo, são fáceis de controlar com um programa nacional de vacinação. Já os vírus que provocam as hepatites infecciosas, com vários tipos distintos, os quais têm características epidemiológicas diferentes, são mais difíceis de controlar. No entanto, o vírus da imunodeficiência humana, apenas tem dois subtipos e todas as acções que têm sido levadas a cabo pelo mundo, inclusivamente por organismos internacionais como a Organização Mundial de Saúde têm sido infrutíferas.

O vírus da gripe, tem a particularidade de sofrer mutações genéticas periódicas, o que dificulta o seu controlo.

O que é necessário saber sobre um vírus para que sejam tomadas as medidas adequadas para travar a sua disseminação? As vias de transmissão - contacto directo (beijo, relações sexuais...) ou indirecto (transmissão através do ar, de objectos contaminados...) - o conhecimento dos hospedeiros, o período de incubação, o período de contágio e a sazonalidade da doença (caso exista).

É necessário ainda saber se existe o estado de portador do vírus (indivíduo infectado, sem sintomas de doença mas potencialmente transmissor do vírus), se os sinais e sintomas da doença são inequívocos ou se podem ser interpretados incorrectamente e se a doença provoca imunidade provisória ou definitiva.

O conhecimento do material genético do vírus é necessário para desenvolvimento de uma vacina. Uma vacina eficaz, barata e que possa ser armazenada em condições extremas é condição fundamental para que possa ser utilizada em grande escala e em qualquer ambiente (lembremos que existem populações no mundo que não têm condições de armazenamento de vacinas que necessitem de refrigeração). Para isso, há que conjugar ainda outros factores sem os quais não é possível implementar acções de combate a uma epidemia: haver financiamento, vontade política e aceitação social.

Foi assim que foi erradicada a varíola do mundo. Mas não nos iludamos: «não há vírus conhecido entre os que afectam os humanos que tenha as mesmas características que tinha o vírus da varíola» (leia A OMS tenta controlar o vírus H1N no blog "Loco citato").


Referência

Donald B. Stone, R. Warwick Armstrong et. al. Introdution to Epidemiology. Tradução de Henrique Barros. Editora McGraw-Hill de Portugal, Lda., 1999. ISBN: 972-773-002-7.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Notação estatística

Estatística ou medida amostral, é uma quantidade que é calculada a partir de uma amostra de dados e que descreve essa amostra. É utilizada para dar informações sobre valores desconhecidos na população correspondente, os parâmetros da população.

A média (), a variância () e o desvio-padrão ( ) da amostra, são medidas empíricas (observadas), ou estatísticas da amostra ou ainda estimadores dos parâmetros da população média da população (), variância da população () e desvio-padrão da população (), respectivamente.

Em geral, as estatísticas da amostra representam-se por letras latinas e os parâmetros da população representam-se por letras gregas. O tamanho de uma população (quando finita) é representado por "N", enquanto que o tamanho de amostra é representado por "n".

Uma estimativa estatística é uma indicação do valor de uma quantidade desconhecida baseado em dados observados. Mais propriamente, uma estimativa é o valor de um estimador particular, obtido a partir de uma determinada amostra de dados e que indica o valor de um parâmetro.

Dentro de uma população, um parâmetro é um valor fixo que não varia. Cada amostra retirada da população tem seu próprio valor de qualquer dado estatístico que é utilizado para calcular esse parâmetro. Por exemplo, a média do conjunto de dados de uma amostra deve dar informação acerca da média de toda a população .

Exemplo: Suponha que o gerente de uma loja quer saber a média de despesas dos seus clientes no ano passado. Em vez de calcular a despesa média das centenas (ou mesmo milhares) de clientes que compraram produtos na sua loja, ele pode usar uma estimativa da média desta população (despesa dos clientes na loja no ano passado), calculando a média de uma amostra representativa de clientes. Se o valor médio de despesa dos clientes () tiver sido €25, então a estimativa será =25.

As estatísticas da amostra, sendo estimativas das características correspondentes da população de onde a amostra é originária, não podem, em geral, descrever completamente a distribuição (Fx), quer da amostra, quer da população. Na verdade, diferentes distribuições podem ter a mesma média e desvio-padrão. No entanto, podem descrever completamente a distribuição normal, na qual os desvios positivos e negativos em relação à média são igualmente comuns e os pequenos desvios são mais comuns do que os grandes.

Notas:

  • Chi-square, ou qui-quadrado, não é o quadrado de nada. É o nome de uma distribuição.
  • As letras mu e nu, lêem-se respectivamente, miu e niu.
  • Rho é o coeficiente de correlação de Spearman.



Síntese:

As estatísticas da amostra são estimadores dos parâmetros da população.

Estatística é uma quantidade que é calculada a partir de uma amostra de dados. É utilizada para dar informações sobre valores desconhecidos na população correspondente. Por exemplo, a média dos dados de uma amostra é utilizada para dar informações sobre a média geral da população a partir da qual essa amostra foi recolhida.

Às estatísticas são muitas vezes atribuídos caracteres romanos (por exemplo, e ), enquanto que o equivalente em valores desconhecidos da população (parâmetros) são atribuídas letras gregas (por exemplo, e ).

Um parâmetro é um valor desconhecido da população, que tem de ser estimado. Os parâmetros são usados para representar uma certa característica da população. Dentro de uma população, um parâmetro é um valor fixo que não varia. Cada amostra retirada da população tem seu próprio valor de qualquer dado estatístico que é utilizado para calcular esse parâmetro. Por exemplo, a média dos dados de uma amostra é utilizada para dar informações sobre a média geral da população da qual essa amostra foi recolhida.


segunda-feira, 18 de maio de 2009

Frequências relativas e acumuladas

A frequência relativa simples ou percentual "fri" é o quociente entre a frequência simples "fi" e o total de dados "n". O somatório das frequências relativas é igual a "1".

A frequência acumulada simples ou absoluta "Fi" da linha "i” é a soma das frequência simples ou absolutas até a linha "i".

A frequência acumulada relativa ou percentual "Fri" da linha "i" é a soma das frequências relativas ou percentuais até a linha "i".

Os valores das colunas da esquerda das tabelas de frequência são denominados "pontos" ou "valores". Cada um deles é representado por xi , onde "i" varia de 1 até k, sendo "k" o número de linhas da tabela.

Retomando o exemplo dado no artigo Tabela de frequências absolutas_Excel, construiu-se uma tabela de frequências absolutas, frequências relativas, frequências acumuladas e frequências relativas acumuladas.

Tabela de frequências. Idade das crianças que brincam num parque.

Dicas de interpretação

  • Cerca 33% das crianças que bricam num parque têm 2 anos de idade (fr1 = 0,333).
  • Oito crianças têm idade até 7 anos (F6 = 8).
  • Aproximadamente 89% das crianças têm idade até 7 anos (Fr6 = 0,889).

Retomando o exemplo dado no artigo Tabela de frequência_dados classificados_Excel, construiu-se uma tabela de frequências absolutas, frequências relativas, frequências acumuladas e frequências relativas acumuladas para dados classificados.

Na tabela “Idade dos colaboradores de uma empresa” os valores da coluna da esquerda são denominados de classes ou intervalos. As classes variam de 1 até k.

O limite inferior da classe "i", anota-se por lii. O limite inferior da segunda classe é: 31.

O limite superior da classe "i", anota-se por lsi. O limite superior da segunda classe é: 40.

A amplitude da classe "i", anota-se por hi e é calculada como a diferença entre os limites superior ou inferior da classe "i" (hi = lsi - lii). A amplitude da classe três é: h3 = ls3 - li3 = 50 - 41 = 9 anos.

O ponto médio da classe é representado por xi e calculado por: xi = (lii + lsi) / 2.

Tabela de frequências. Idade dos colaboradores da empresa X.

Dicas de interpretação

  • Cerca 32% dos colaboradores da empresa X têm idades superiores a 41 anos e inferiores a 50 anos de idade (fr3 = 0,317).
  • Vinte e cinco por cento dos colaboradores têm entre 31 e 40 anos de idade (fr2 = 0,25).
  • Cinquenta e um trabalhadores têm idades até 50 anos (F3 = 51).
  • Aproximadamente 47% dos colaboradores da empresa X têm idades superiores a 40 anos (Fr4- Fr2).

Referências

Microsoft Office Online. URL: http://office.microsoft.com/pt-pt/default.aspx

Página Pessoal - Ufrgs - Prof. Lori Viali. Série Estatística Básica. Disponível em http://www.pucrs.br/famat/viali. Publicações. Didáticas. Apostilas. Área exactas.

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